Undergroud
Ele era tão alternativo, mas tão alternativo, que quando foi ao cinema assistir um daqueles filmes-cult-de-uma-concepção-não-comercial-que-quase-ninguem- assisti-mas-que-foi-feito-para-ser-adorado-e-interpretados-por- uma-raça-superior, fez questão de sentar-se na primeira fileira porque o médio/alto é coisa de gente comum.
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Baseado em fatos reais. Eu tinha que escrever algo.
A waltz for a night
Não consigo expressar o que sinto quando ouço essa música, mas graças a facilidades da internet, posso dividi-la com vocês.
Cantada por Julie Delpy [a atriz], essa faixa está no CD da trilha sonora de Antes do amanhecer & Antes do Pôr-do-Sol.
Appréciez-le
Encontrei mais um verso para me perder…
Encontrei mais um verso para me perder [ou encontrar]. Depois de viver buscando algo que me indentificasse em poucas palavras, simplesmente o encontrei em mais um verso para levar para a vida. E mesmo que seja só em teoria, ele representa o que sinto ou o que queria sentir. Talvez quem escreveu me conhecesse mais do que eu, o que me da pleno direito de tomar posse de suas palavras, mas nossa idéia e nossa sabedoria. Sem nenhum escrúpulo, roubo, compartilho, sinto tudo aquilo que queria ter escrito.
É ‘de’ grátis?
Nunca sei o que esperar de um coisa grátis. Na verdade, só a empolgação de saber que vai ser grátis num mundo onde tudo é pago traz um minimo uma curiosidade de saber se vale a pena e também a possibilidade de nisso haver alguma vantagem. Então você, publicitário ou empresário que visita este blog, não seja bobo. Em suas divulgações, distribuam amostras grátis. Cative o cliente! O meu coraçãozinho está aqui para ser ganho. Se é ‘de’ grátis, eu ‘tô’ dentro.
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Esse texto foi baseado na minhas amostras grátis da semana. Cinema, fio dental, rémedio, biscoito, iogurte e cafézinho. Mês que vem quero mais coisas. Não me decepcionem.
Bulhufas:Um blog especializado no assunto que VOCÊ procura.
Nunca, numa boca, coube tanta promessa…
Nunca, numa boca, coube tanta promessa. Quer dizer, talvez na de algum político em época de eleição. Mas não vem ao caso. A diferença é que as coisas pareciam tão mais reais. Eu não posso reclamar das falácias de nenhuma paixão antiga não engatada. Algumas eram maravilhosas demais e outras tantas, tão sacanas. Mas, mais que um relato de culpa, isso é um novo juramento onde nada do passado vem ao caso ou ao acaso. Dessa vez a boca a se renova em novas e tantas promessas, com tantas palavras óbvias, tantos clichês, de um jeito tão piegas que fica difícil não acreditar. Mais possível que isso, talvez só em ficção…
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Esse texto está sendo repostado. Ele foi corrigido e modifiquei uma coisinha aqui, outra acolá. É isso. Qualquer problema é só reclamar com a supervisão.
Estórias…
Era um escritor de final-de-semana. As vezes fazia um conto aqui, uma crônica ali. Quando acordava inspirado tentava um artigo. Sua especialização era deixar textos pela metade, para algum dia, durante um surto de genialidade, terminar. E esse dia não chegava.
Recém-aposentado, sem maestria nenhuma ele se jogava na cadeira, frente à maquina de escrever e entre pilhas e pilhos de livros ditos clássicos, que só foram lidos sem nenhum cuidado, se punha a pensar em coisas banais. Escrevia sobre coisas que já tinham sido escritas e re-escritas e, vez por outra, copiava alguma frase de alguém importante e colocova no meio do texto. O limite da sua literatura era a turma do bar. As vezes entre uma chopp e um bolinho de bacalhau, citava o que jurava ser a melhores passagens.
Mas dessa vez, ao repetir o ritual antes de iniciar a escrita, ele estava perplexo. Tentou por três vezes acertar a folha na máquina. na quarta, conseguiu. Lembrou-se do do que ocorrera mais cedo quando seu amigo de chopp e bolinho de bacalhau foi taxativo: os literatos estão abolindo a palavra estória.
À priori, pensou em escrever à Academia Brasileira de Letras, ao Senado, ao Congresso, ao Presidente, à ONU. Não sabia como ou por onde começar. Pensou em organizar um abaixo assinado. Queriam substituir estórias por história! Um absurdo! Um crime premeditado contra a língua portuguesa fluente. História e estória nunca seriam a mesma coisa. História lembra, principalmente, coisas do passado e estória é a palavra que ele buscou durante dois longos dias no dicionário para definir perfeitamente sua literatura: “narrativa de cunho popular e tradicional”
Depois de mandar o neto consultar alguns dicionários na tal da internet e constatar que a palavra ainda estava lá com o mesmo significado ele se tranquilizou um pouco, mas ainda pensava em tomar alguma atitude drástica. Agora ja devaneava em passeatas, atos públicos e se as coisas piorassem, estava preparado para se tornar um terrorista.
Sua mente mudou muito desde que ouviu que a palavra estórias cairia em desuso. No bar, entre chopps e bolinhos de bacalhau, tentava evitar o assunto. Seus planos ainda eram secretos. Nunca mais tinha escrito nada, só pensava na estória e como manifesto, não tinha escrito uma linha. Tudo estava em sua cabeça. Acho que ele só esperava algum “intelectual” começar a se movimentar. E assim sim ele iria atrás, levando a bandeira da estória. Quem sabe até se tornaria um mártir, um exemplo ou o próprio salvador.
Daquela máquina não sairam mais palavras. Nem puras, nem copiadas. E naquela cabeça uma idéia fixa silenciosamente se instalou. Passou-se uma semana e não ouve intelectual que defendesse as estórias. Passaram-se duas semanas e a ideia fixa começou a sumir. Ele nunca contou seus planos secretos. Se auto-denominava estóriador. A única coisa que continuava igual eram os chopps, os bolinhos de bacalhau e o papo com amigos onde comentavam o dia-a-dia de suas vidas cheias de estórias fantásticas.
Na terceira semana, uma nova tragédia tomou o lugar das estórias na sua mente: Sua neta de 12 anos estava namorando. “Como os tempos mudaram….” Pensava. E todos aqueles planos voltavam a sua cabeça: cartas, abaixo-assinados, crime, passeatas, atos-públicos, terrorismo…
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Depois desse texto, retiro o que disse sobre ser Literaturólogo. =]
Cotidiano
Primeiro foi o seu perfume, invadiu o aparmento 210b sem pedir e licença e trazendo uma bagagem de lembranças. Depois, pude reconhecer seus passos do elevador até a porta, seu [sem]-jeito para abrir a porta. Sempre reclamara da fechadura, era como se ela não a quisesse ali. E eu só fazia achar graça dos seus resmungos cotidianos. Ao som de “toda dia ela faz tudo sempre igual” preparava a janta. Sempre a mesma janta. Sempre no mesmo ritmo. Até que um dia disse que iria embora para nunca mais voltar. Não criei resistência, para mim, talvez nascesse ali a oportunidade de provar um novo sabor, um novo som, novos problemas cotidianos. Hoje completam 6 dias que partiu ela para nunca mais voltar. Em outra ocasiões, um abraço seria impraticável, mas agora eu realmente queria sentir a suavidade daqueles braços, aquele velho sabor, e ver de novo ela fazendo “tudo sempre igual”. É claro, seria só por hoje, mas ela fez que não. Mudou o script sem me avisar. Disse que só tinha vindo pegar alguns documentos que tinha esquecido no nosso arquivo e que estava com passagem marcada para Paris ia tentar mestrado ou fazer turismo. Eu não prestei muita atenção no que ela falava… Só via seus gestos, remexendo aquela monte de papel velho, aqueles mesmos gestos pelos quais me apaixonei. Ela disse adeus e foi embora. Me acostumei com os já não tão novos sabores, com já decorados novos sons e as reclamações, que eram as mesmas, já me cansaram também. Os problemas cotidianos pareciam insolucionáveis. Ela tinha ido para Paris, e eu aqui todo dia fazendo “tudo sempre igual…”
Mais do que simples emboleiro de frases e palvras, cada história/estória possui algum algum alerta, mesmo que bobinho. Trata-se de um jeito diferente de olhar a temida/amada realidade…
Acho que vou virar Literaturólogo! E se isso não existir, eu invento na marra!